Exodontia de Molar Inferior

EXODONTIA DE MOLAR INERIOR TRIADAN 409 COM INFECÇÃO APICAL COM EQUINO EM ESTAÇÃO – RELATO DE CASO

LIZZIE DE OLIVEIRA DIETRICH ; MARTA SPERB ; JARBAS CASTRO JUNIOR ; RAQUEL CAMARGO GONÇALVES
1.EQUIDENT – ODONTOLOGIA EQUINA AVANÇADA; PORTO ALEGRE – RS – BRASIL;
2.AUTÔNOMO, PORTO ALEGRE – RS – BRASIL; 3.CLINICA HÍPICA, PORTO ALEGRE – RS – BRASIL.

A técnica de extração dentária intra-oral para dentes molares com o equino sedado e em estação tem sido amplamente recomendada nas últimas décadas. Os pontos de maior relevância desta técnica são: rápida recuperação pós-operatória, ausência de riscos de anestesia geral e uma menor lesão aos tecidos adjacentes, o que favorece a cicatrização alveolar (Easley et al., 2011). Após a exodontia, por exemplo de um Triadan 09, o diastema formado tende a ser reduzido com o passar dos anos pelo movimento rostral dos dentes remanescentes. Contudo quando a técnica usada causa uma extensa lesão no alvéolo e estrutura óssea adjacente, este movimento é prejudicado. A técnica de repulsão afeta muito mais este movimento de mesialização dental que a exodontia unicamente intra-oral (Townsend et al.,2008).
O uso de sedativos alfa-2 agonistas adrenérgicos, com seu potente efeito sedativo e analgésico, associado ao bloqueio nervoso regional, permite que a extração dentária de molar possa ser feita com o equino em posição quadripedal (Easley et al., 2011). Além disto, torna-se uma abordagem acessível que exige treinamento do cirurgião e a radiologia digital como meio de diagnóstico complementar essencial durante seu transcorrer.

Relato do caso:

O presente relato de caso descreve a extração pelo método intra-oral do dente Triadan 409 com equino em estação. Equino, raça Brasileiro de Hipismo, fêmea, 14 anos, foi submetido ao tratamento dental de rotina. Nesta ocasião foi diagnosticada fratura no canto caudo-bucal do dente Triadan 409, envolvendo o cemento periférico e esmalte da polpa número 2 (Sistema de Numeração Endodôntica de DuToit) e aprofundando-se abaixo da linha gengival. Na sondagem exploratória deste dente, havia necrose das polpas números 1, 3 e 4. Radiografia
complementar foi realizada e revelou reabsorção das duas raízes deste dente, e esclerose alveolar periapical, comprovando a presença de uma infecção apical do Triadan 409. Foi recomendada a extração do dente afetado.
A cirurgia foi realizada com equino em estação, usando abordagem unicamente intra-oral. A sedação foi feita com detomidina na dose de 0,02 mg/kg IV e suplementação com 0,01mg/kg IV, associada ao butorfanol 0,01mg/kg IV e ao bloqueio nervoso regional no forame mandibular direito com 20 ml de lidocaína 2%. Anestesia perigengival com lidocaína 2% no sítio operatório foi também utilizada.
O espéculo modelo Mc Pherson foi colocado e a cavidade oral foi lavada com solução de clorexidina 0,12%. A cabeça foi então colocada sobre o suporte de piso. A abordagem cirúrgica iniciou pela desmotomia do ligamento periodontal com uso de afastadores interdentais de diferentes espessuras e do tipo mesial e regular; seguido pelo uso de elevadores de gengiva de diferentes angulações e comprimentos, associados a calços, que com o movimento mastigatório ainda presente no equino sedado, permitiram a penetração do elevador entre o dente e o alvéolo, luxando assim o ligamento periodontal, conforme descrito por Zaluski (2006). A desmotomia representa a parte do trans-cirúrgico de exodontia em cavalos que despende normalmente maior tempo, em especial quando se trata de casos onde a afecção não alterou a integridade deste ligamento, contudo o sucesso da técnica e a remoção completa do dente dependem desta etapa. Assim que obtida mobilidade dental, foi aplicado fórceps longo serrilhado e realizados movimentos repetitivos no sentido linguo-bucal. Assim que o
dente apresentou mobilidade expressiva, aplicou-se o fulcrum, que serviu de apoio rostral ao fórceps, e o dente foi extraído. O alvéolo foi curetado e lavado com solução de clorexidina 0,12% para remoção de debris e colocado tampão alveolar do tipo siliconado. A radiografia pós-operatória revelou completa extração do dente Triadan 409.
Como terapia pós-operatório usou-se penicilina SID, IV, por 10 dias associada ao metronidazol (15mg/kg) BID, PO, por 10 dias; flunixin meglumine (2,2mg/kg) SID, IV, por 5 dias; e lavagem bucal com solução clorexidina 0,2%. O tampão alveolar foi removido passados 15 dias, e a completa cicatrização levou 45 dias. O cavalo retornou ao trabalho 15 dias após a intervenção.

Discussão e Conclusão:

Esta técnica para extração dentária usando abordagem intra-oral demonstrou-se satisfatória pelo curto tempo de regeneração tecidual no pós-operatório, sendo indicada para cavalos que estejam sendo submetidos a treinamento desportivo.

 

Referências bibliográficas:
EASLEY, J., DIXON,P., SCHUMACHER, J. Equine Dentistry – 3 ed, Saunders Elsevier, 2011, p. 319 – 344
TOWNSEND, N.B.; DIXON, P.M.; BARAKZAI,S.Z. Evaluation of long-term oral consequences of equine exodontia in 50 horses. The Veterinary Journal. 2008; 178: p 419-424
ZALUSKI, P., DAVIS, M. The Use of Dental Picks for Difficult Extractions. Proceedings of American Association of Equine Practitioners.
Focus Meeting 2006.