EXODONTIA DE CANINO SUPERIOR

EXODONTIA DE CANINO SUPERIOR (TRIADAN 204) COM FRATURA DE
COROA CLINICA E COM EQUINO EM ESTAÇÃO
RELATO DE CASO

LIZZIE DE OLIVEIRA DIETRICH ; LUISA DOS SANTOS VEBER .
1.EQUIDENT – ODONTOLOGIA EQUINA AVANÇADA, PORTO ALEGRE – RS – BRASIL;
2.URCAMP, BAGE – RS – BRASIL.

As fraturas de coroa clínica podem gerar exposição da polpa e consequentemente infecção apical do dente acometido, e, por sua vez, perda da vitalidade dental. O dente canino no equino erupciona entre 4 e 6 anos de idade e possui um comprimento em torno de 5 a 7 cm (Easley et al.,2010). São semelhantes a icebergs, com somente 10 a 20% de sua coroa erupcionada. Ao longo da vida, ele sofre uma mínima erupção. O ápice deste dente é um tanto longo e profundamente situado na mandíbula ou maxila. Os caninos maxilares tendem a apresentar um formato de L (Caldwell,2006).

Rawlinson e Earley (2013) não recomendam a extração do dente canino do equino por uma abordagem não cirúrgica, sem anestesia geral, a menos que o dente possua significativa mobilidade e sua coroa clínica e raiz estejam intactas. Segundo estes autores, mesmo em cavalos idosos, a extração do canino equino deve ser feita requerendo uma abordagem cirúrgica, na mesa e com anestesia geral, caso a patologia dental não tenha causado significativa degradação do periodonto. Diferentemente dos demais dentes molares e incisivos que sofrem erupção continuamente ao longo da vida do cavalo e apresentam-se com um comprimento muito menor em um cavalo idoso em relação ao jovem, os caninos não sofreram praticamente grande alteração em seu tamanho em função da idade (Easley et al.,2010).
Devido à esta condição anatômica e estrutural deste dente, sua extração se faz um tanto dificultosa e a habilidade do cirurgião representa um ponto essencial na decisão cirúrgica.

Relato do caso:

Este trabalho relato o caso de um cavalo da raça Brasileiro de Hipismo (BH), de 13 anos, castrado utilizado para hipismo. Este animal apresenta aerofagia e comportamento roedor. No tratamento dental de rotina foi observado o desgaste da face labial dos incisivos e a fratura da coroa clínica do dente Triadan 204 (canino superior esquerdo). Na sondagem exploratória deste canino, a necrose de polpa estava presente.
O proprietário não relatou alterações na equitação ou alimentares deste cavalo. Radiografia complementar comprovou reabsorção apical do Triadan 204.
O tratamento indicado foi a extração deste dente com o equino em estação sedado com detomidina 0,02mg/kg IV e butorfanol 0,01mg/kg IV; associados ao bloqueio regional no forame maxilar esquerda, com 20 ml de lidocaína 2%, com antissepsia cutânea prévia, 10ml lidocaína 2% perigengival no sítio operatório. Antissepsia do local cirúrgico foi feita com solução de clorexidina 0,2%.
A abordagem cirúrgica iniciou com flap muco-gengival e incisão do periósteo. Então o periósteo foi elevado e o osso maxilar visualizado. Com o uso de uma broca diamantada cônica acoplada a uma caneta e motor elétrico, foi então feita osteotomia, sendo removida uma janela óssea e expondo o dente canino afetado. A desmotomia do ligamento periodontal foi feita com uso de elevadores dentais, com diferentes
angulações. Quando observou-se mobilidade dental significativa, foi então usado fórceps curvo para tracionar e extrair o dente. Curetou-se a região apical e arredondou-se os bordos alveolares com broca esférica. O periósteo rebatido foi seccionado parcialmente. Sutura do flap gengival foi feita no padrão interrompido simples com poliglactina 910.
No pós-operatório usou-se penicilina SID, IV, por 10 dias associada ao metronidazol (15mg/kg) BID, PO, por 10 dias; flunixin meglumine (2,2mg/kg) SID, IV, por 5 dias; e lavagem local BID com solução clorexidina 0,2%. A cicatrização local completa foi obtida em 20 dias. O cavalo retornou ao trabalho 12 dias após a intervenção, sem sinais de desconforto ou dor.

Discussão e Conclusão:

Este tipo de exodontia de canino com equino em estação pode ser empregada com êxito, contrariando alguns artigos publicados, que indicam a abordagem cirúrgica em decúbito para tal procedimento. A vantagem desta técnica descrita é um menor risco operatório, pois não necessita de anestesia geral, portanto há uma maior exigência e treinamento por parte do cirurgião.

 

Referências bibliográficas:
CALDWELL, L. A. Canine Teeth in the Equine Patient – The Guide to Eruption, Extraction, Reduction and Other Things You Need to Know. Proceedings American Assoc Equine Practitioners – Focus Meeting, 2006
EASLEY, J., DIXON,P., SCHUMACHER, J. Equine Dentistry. 3 ed, Saunders Elsevier, 2011, p 321-222
RAWLINSON, J.T.; EARLEY, E. Advances in the Treatment of Diseased Equine Incisor and Canine Teeth. Veterinary Clinics of North America: Equine Practice. Advances in Equine Dentistry. 2013, 29 (2): 411- 440