BAIXO ESCORE CORPORAL

BAIXO ESCORE CORPORAL EM ÉGUA REPRODUTORA ASSOCIADO À
DOENÇA PERIODONTAL E MÁ OCLUSÃO DOS DENTES MOLARES
RELATO DE CASO

LUISA DOS SANTOS VEBER ; LIZZIE DE OLIVEIRA DIETRICH .
1.URCAMP, BAGE – RS – BRASIL; 2.EQUIDENT – ODONTOLOGIA EQUINA AVANÇADA,
PORTO ALEGRE – RS – BRASIL.

 

Anormalidades dentais podem ter um impacto negativo sobre a forma como os cavalos, especialmente os mais velhos, terão de consumir e utilizar os nutrientes dos alimentos. A doença periodontal é uma patologia muito comum em cavalos com mais de 15 anos de idade, sendo que 60% destes animais apresentam algum grau desta patologia, que é a maior causa de perda prematura de dentes definitivos no cavalo adulto. (Allen, 2003). Uma das causas primárias desta afecção são as forças mastigatórias anormais que os dentes sofrem em consequência da má oclusão. O ligamento periodontal e os tecidos de suporte, quando sujeitos a forças excessivas ou anormalmente dirigidas, associadas à má oclusão, levam ao enfraquecimento do ligamento periodontal e ao início de uma cascata destrutiva de inflamação e degeneração (Allen, 2003).

Os sinais clínicos cursam com halitose, sialorréia, padrões anormais de mastigação e baixo escore corporal (Greene & Basile, 2002). A doença periodontal é descrita como a desordem oral mais dolorosa no equino. Em animais utilizados para fins reprodutivos, os problemas dentários que afetam a mastigação (desgaste excessivo/anormal dos dentes, perda prematura de dentes, etc.) podem influenciar negativamente a produtividade por diminuição da eficiência da alimentação e aumento do tempo e despesa necessários para manter os equinos com uma boa condição corporal. (Allen, 2003).

A eficiência reprodutiva da égua possui relação direta com seu estado nutricional. Os problemas dentários podem ainda ser causa de outras enfermidades, por vezes fatais para o cavalo, como cólicas ou engasgamento devido à má mastigação dos alimentos. (Geor et al., 2004). Os check-ups de rotina são fundamentais para o diagnóstico dos problemas dentários, evitando o aparecimento de quadros mais graves de desnutrição, infertilidade, cólicas ou outras patologias digestivas, mau desempenho esportivo ou alterações comportamentais (vícios) por reação à dor.

Relato do caso:

O objetivo do artigo é relatar o caso de uma égua de 18 anos, da raça Mangalarga Marchador, utilizada na reprodução, sem histórico de exame oral completo, com escore corporal 3, segundo Henneke et al. (1983) desenvolveram uma escala de ECC que varia de 1 até 9 (1 = animal excessivamente magro e 9 = animal excessivamente obeso) baseada na observação da aparência do animal e palpação da cobertura de gordura. Na inspeção interna da cavidade oral constatou-se que o animal apresentava severa má oclusão em molares em forma de onda nos quadrantes 3 e 4, envolvendo os dentes Triadan 07, 08 e 09. Por consequência, houve severo desgaste das superfícies oclusais dos dentes Triadan 109 e 209, além de presença de doença periodontal grau 3 e perda da coroa clínica nestes referidos dentes. Foi indicado nivelamento dentário (odontoplastia) para correção da má oclusão e a extração dos dentes 109 e 209 pelo método intra-oral, com o equino em estação e bloqueio nervoso regional pelos forames maxilares. Após tratamento realizado, o equino relatado obteve ganho de peso aparente passados 30 dias.

Discussão e Conclusão:

Este caso condiz com as descrições bibliográficas, que relatam um percentual elevado de doença periodontal em cavalos nesta faixa etária. As patologias orais não estão resumidas às pontas dentárias, mas envolvem uma variedade de outras afecções. Todavia um tratamento dental completo é que será capaz de promover uma reversão da eficiência mastigatória e trazer melhoras no escore corporal do animal. Tratando-se de éguas reprodutoras, a manutenção de um bom escore corporal repercuti em uma boa eficiência reprodutiva. O cuidado oral é essencial para a saúde e bem-estar do animal, bem como para o seu desempenho funcional. A realização de check-ups periódicos é fundamental para a prevenção ou diagnóstico precoce de problemas odontológicos.

 

Referências bibliográficas:
ALLEN, T. Manual of Equine Dentistry. USA: Mosby, Inc. 2003
GEOR, R.J., HINCHCLIFF, K.W. & KANEPS, A.J. Equine Sports Medicine and Surgery: Basic and Clinical Sciences of the Equine Athlete (4th ed.). Saunders. 2004
GREENE, S., BASILE, T. Recognition and Treatment of Equine Periodontal Disease. Proceedings of the 48 th Annual Convention of the American Association of Equine Practitioners, Orlando, Florida, USA, 48, 463-466. 2002.
HENNEKE, D. R. Relationship between body condition score, physical measurements and body fat percentage in mares.
Equine Veterinary Journal, Cambridge, v. 15, n. 4, November, p. 371-372, 1983.